Assim pergunta a misteriosa Esfinge: "decifra-me ou devoro-te?", e eis o enigma que norteia o problema: acaso podereis enxergar o firmamento que assegura a obra de arte? Por acaso o seu ser-no-mundo se sustenta sozinho? Do que carece seu valor, sua permanência e sua projeção no tempo? O que se insere entre o fazer criativo e o reconhecimento público? Quem é o ser silencioso e decisivo que conduz determinadas obras ao estatuto de clássicos enquanto outras permanecem à margem? Deste modo, temos como propósito questionar como uma obra se torna "universal" ou "essencial", isto é, questionar os próprios mecanismos culturais que constroem sentidos, legitimam discursos e perpetuam narrativas. É nesse espaço de tensão conflituosa, entre criação, seleção e consagração, que lanço esses aforismas e silogismos como advinhas ao debate estético. 1 O que faz uma obra de arte ser universal é todo o trabalho humano envolto nela. 2 É a mortalidade do ser humano que sustenta...