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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Os Limites do Poeta: Uma Crítica ao texto de Fernando Pessoa sobre o Comunismo

É inegável que o poeta Fernando Pessoa é um dos maiores escritores do século XX. A importância desse autor reside em sua genialidade modernista, ao revolucionar a literatura portuguesa com a criação dos heterônimos (Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro), isso lhe permitiu explorar múltiplas vozes e identidades, abordando temas como o "eu" fragmentado, a solidão e a identidade nacional. Além da poesia, Pessoa foi também tradutor e  crítico literário, ele escreveu peças de teatro, novelas e escreveu ensaios. (Fernando Pessoa) Sobre este último elemento de sua produção — os ensaios —, vamos aqui realizar uma crítica a um pequeno texto que ele escreveu sobre o comunismo, demonstraremos que o autor português está evidentemente equivocado sobre esse assunto, aliás, o primeiro erro que podemos antecipar aqui é que ele não especifica qual comunismo está tratando em sua crítica. Veja, o comunismo é uma ideia com várias faces — socialismo-utópico, comunismo marxista, marxismo...

A Comunidade dos Solitários: Narcisismo, Ciberespaço e Crise da Intersubjetividade em Slavoj Žižek

No livro Violência: Seis Reflexões Laterais , o filósofo Slavoj Žižek faz uma análise interessante sobre a chamada “Masturbatona”, um evento cujo propósito era celebrar o prazer da masturbação, que ocorreu em Londres em 2006. A reflexão de Žižek nos oferece uma chave privilegiada para compreender as contradições da sexualidade e dos vínculos sociais na contemporaneidade. Por mais que esse assunto pareça tão difícil de se abordar para algumas pessoas, por seu conteúdo ser um tanto constrangedor, por outro lado, ele, na obra do filósofo esloveno, ganha um tom filosófico brilhante, pois, acaba revelando um problema fundamental da sociedade: a solidão. À primeira vista, esse evento parece carregar um paradoxo bem evidente: trata-se de uma celebração coletiva de um prazer essencialmente individual, solipsista e autorreferente. Centenas de pessoas reunidas em um mesmo espaço, não para se encontrarem enquanto sujeitos, mas para partilharem, cada uma isoladamente, o próprio gozo. No entanto, c...

Uma Crítica as Revistas em Quadrinhos Segundo a Perspectiva de Alan Moore e Walter Benjamin

A cultura dos quadrinhos nasceu dentro da época da cultura de massas. Além disso, segundo o filósofo Walter Benjamin, esse tipo de arte, assim como a fotografia e o cinema, se originou dentro de um contexto histórico onde houve a perda da “autenticidade” (no sentido de aura/unicidade) por ser um produto criado em série através da reprodutibilidade técnica. A reprodução e a perda da unicidade da arte são fenômenos da modernidade, e isso acabou transformando a percepção do público radicalmente.  Sobre isso temos a crítica do escritor e quadrinista britânico Alan Moore contra a indústria dos quadrinhos, em especial contra as grandes editoras norte-americanas como a DC Comics e a Marvel Comics, e ela pode ser compreendida através da filosofia de Walter Benjamin, sobretudo a partir do seu célebre ensaio “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”. Veremos que a trajetória de Alan Moore nesse meio — passando de criador contratado a crítico radical do sistema editorial — expr...

A convergência ideológica conservadora que une Nietzsche e o Cristianismo

O fato de um autor como Nietzsche — crítico feroz do cristianismo e autor de O Anticristo — ser publicado por uma editora como a Logos, ligada à filosofia cristã e a círculos de influência olavista, não parece ser necessariamente um tipo paradoxo sem solução, mas talvez uma espécie de "sintoma". Tal coisa revela que, para além da oposição explícita entre o ateísmo e a fé, há zonas de convergência ideológica que permitem uma apropriação. Assim, uma espécie de “cola” que torna essa convivência possível não se encontra na teologia ou na metafísica, mas no terreno da política — mas em uma política que tem dentro do seu mais profundo ser o germe ideológico do fascismo. O filósofo brasileiro Leandro Konder nos diz em sua obra, Introdução ao Fascismo , que a ideologia fascista historicamente se alimentou de tradições diversas, muitas vezes contraditórias em aparência. De Nietzsche, por exemplo, ela extraiu, seletivamente e com fortes corruptelas, a ética aristocrática, o culto da ...