Arnold Schoenberg, em seu ensaio A afinidade com o texto , desenvolve uma crítica contundente à forma como a crítica musical lida com a música instrumental, especialmente aquela desprovida de texto, programa ou referência extramusical. Para o compositor, a raiz do problema não está apenas na insuficiência técnica dos críticos, mas na raridade de uma capacidade perceptiva específica, que ele denomina como a “faculdade da percepção pura”. Segundo Schoenberg, “ a faculdade da percepção pura é extremamente rara, e só a encontramos em homens de grande capacidade ” (SCHOENBERG, Estilo e Ideia , p. 6), o que explicaria o embaraço recorrente dos críticos diante de certas obras musicais. Essa limitação crítica se manifesta, sobretudo, na incapacidade de imaginar a música para além de sua execução imediata. Schoenberg observa que “ o crítico, que deve informar-se e julgar, mas que geralmente é incapaz de imaginar ‘viva’ a partitura musical, [não consegue] cumprir o seu dever com um mínimo grau ...