O falso Conservadorismo e a Estética da Catástrofe: Theodor Adorno e a Gramática Afetiva do Bolsonarismo
No ensaio "Liderança democrática e manipulação de massas" (1951), o filósofo Theodor W. Adorno, da Escola de Frankfurt, nos oferece uma análise clínica muito interessante sobre a figura do "agitador político moderno", articulando psicologia social, crítica da ideologia e teoria do autoritarismo. Longe de compreender o agitador como um simples manipulador externo das massas, Adorno nos mostra que sua eficácia reside numa afinidade profunda entre sua retórica e a estrutura psíquica do indivíduo preconceituoso. Essa afinidade ideológica é marcada por uma contradição central: o agitador se apresenta como um defensor da ordem, da tradição e dos valores estabelecidos, mas ele mobiliza incessantemente imagens de ruína, decadência e catástrofe iminente. É precisamente por meio dessa lógica contraditória que podemos compreender, com notável atualidade, essa questão problemática próxima com a dinâmica do fenômeno bolsonarista no Brasil. O agitador descrito por Adorno encena a...