Outra vez me vejo dentro de uma uma discussão sobre estética musical. Desta vez um músico observou que, na maioria das tentativas nacionais de utilizar o método composicional de Arnold Schoenberg, o resultado costuma soar sem inflexão emocional. Segundo ele, a experiência de escuta torna-se estritamente lógica e objetiva, destituída da “vida emocional” que daria à música sua vitalidade. Para ele, seria mais saudável fazer obras que despertem estados emocionais sem perder de vista a lógica e a objetividade. Mais adiante, esclareceu que não se tratava de abolir nada, mas de estar mais atento às próprias raízes e fazer música “com alma”, lembrando que uma melodia simples também pode ser bela. Pintura de Arnold Schoenberg, de Richard Gerstl (1905) A questão, contudo, está no que se entende por “alma” nesse contexto. Atribuir à música tonal a qualidade de ser “sensível” e à música atonal — especialmente à dodecafônica ou serial — o rótulo de “racional” é partir de um pressuposto equivocado:...