Na dialética hegeliana do "senhor e do servo", vemos que o senhor exerce domínio sobre o servo por meio do medo e da ideologia. Contudo, ao observarmos mais atentamente essa relação, percebemos que, na prática, o senhor é profundamente dependente do servo. É o servo quem realiza o trabalho, quem produz, quem sustenta materialmente a relação. O verdadeiro temor do senhor é que o servo venha a desenvolver sua autoconsciência, compreenda sua própria força e, assim, afirme-se como soberano, rompendo com a lógica da dominação.
O maldito Trump age como se fosse senhor do mundo, acreditando que pode impor tarifas e sanções econômicas a seu bel-prazer. Seu poder, no entanto, só se efetiva onde não há soberania nacional, onde os povos aceitam passivamente sua influência e se submetem às suas exigências.
O Brasil, assim como muitos outros países, tem mostrado que não é um mero servo disposto a se curvar às imposições dos Estados Unidos. Ao contrário, são nações soberanas, com interesses próprios e dignidade política. O verdadeiro medo de Trump e da elite estadunidense é que esses povos desenvolvam sua autoconsciência geopolítica e econômica — ou seja, que percebam que podem dizer "não", que podem resistir, que podem romper com a dependência. Pois quando isso ocorre, o ciclo de exploração e dominação começa a ruir.
Ontem (30/07), ao retirar diversos produtos da lista do chamado "tarifaço", o governo norte-americano revelou sua fragilidade. Esse recuo demonstra claramente a dependência do "senhor" em relação ao "servo". O senhor não é autossuficiente — e nunca foi. Ele precisa explorar o servo, precisa do seu trabalho, da sua matéria-prima, da sua submissão, até mesmo para sustentar sua própria identidade como senhor. A autoridade do senhor depende do reconhecimento que o servo lhe dá — mas quando o servo reconhece sua própria condição de explorado e entende que é ele quem produz, que é ele quem sustenta toda a estrutura, ele começa a se tornar autônomo. E nesse momento, a relação se inverte.
O Brasil é um país soberano, e os Estados Unidos dependem mais de nós do que o contrário. Não somos uma colônia, nem um apêndice de sua política externa. O recuo de Trump atesta essa dependência. E, como nos ensinou Hegel, a dialética do senhor e do servo também a revela: quem produz o mundo não é quem o domina com palavras ou tarifas, mas quem o constrói com trabalho, resistência e consciência.
Por Janilson Fialho

Comentários
Postar um comentário