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CRONOLOGIA DA MÚSICA ABSOLUTA - JANILSON FIALHO

A Metafísica da Música Instrumental (Música Absoluta) só pôde surgir a partir do momento em que a música foi libertada de suas obrigações funcionais e representacionais. A tabela abaixo lista os principais períodos que a antecederam (e o início de sua emergência), destacando o tipo de música que era dominante e as funções não-autônomas que ela geralmente cumpria.

Período Histórico

Tipo de Música Dominante

Função Principal (Antes do Absoluto)

Relação com Texto/Programa

Idade Média (c. 500 – 1400)

Canto Gregoriano, Música Sacra, Polifonia (Organum).

Litúrgica, ritualística, didática (para fixar a doutrina).

Totalmente subordinada ao texto litúrgico (latim).

Renascença (c. 1400 – 1600)

Missas, Motetos, Madrigais, Canções (música vocal polifônica).

Litúrgica e de entretenimento social (madrigais).

Subordinada ao texto para expressar ou "pintar" o sentido da poesia (madrigalismo).

Barroco (c. 1600 – 1750)

Ópera, Oratório, Cantata; Concerto Grosso, Suítes.

Dramática (Ópera), afetiva (expressão de affetti), funcional (música de corte, igreja).

Predominantemente funcional e representacional. A música instrumental frequentemente imitava o drama, a dança ou estava ligada à Retórica.

Classicismo (c. 1750 – 1820)

Sinfonia, Sonata, Quarteto de Cordas.

Social, entretenimento refinado, comunicação de afetos e estados de espírito.

Emergência da autonomia, mas ainda regida por regras. O conceito era de mimese dos afetos (imitação de sentimentos) e uso de regras formais fixas (poéticas).

Romantismo Inicial (c. 1800 – 1830)

Sinfonia (Beethoven), Lied, Música de Câmara.

Início da Metafísica Instrumental. Busca expressar o “Infinito” e o “Sublime” (E.T.A. Hoffmann, Wackenroder).

Rompimento: A música instrumental passa a ser vista como a forma de arte mais elevada e pura, superior ao texto.



  1. O Salto Estético: Do Afeto ao Absoluto

A grande diferença reside na transição do “Classicismo” para o “Romantismo” (marcada por Beethoven):

  • Antes do Absoluto (Classicismo): O objetivo era a mimese dos afetos. A música deveria imitar ou comunicar estados emocionais específicos de forma clara e equilibrada, seguindo regras formais (poéticas).

  • Com a Música Absoluta (Romantismo): O objetivo se torna a Metafísica do Infinito. A música não imita mais um afeto, mas aquilo que é Absoluto e Inefável. Essa música é valorizada justamente por não ter um significado fixo e ser livre de propósitos externos.


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